printer printer Clique no ícone verde à direita
Universidade 2021 do CADTM: Crise global, anulação das dívidas, justiça social
EVENTO ADIADO
26 de Setembro de 2021

Mês após mês, a gestão da crise multidimensional desencadeada pela pandemia do coronavírus levanta questões. Ano após ano, parecem repetir-se os mesmos erros: favorecimento dos ricos à custa do planeta, das pessoas e das populações vulneráveis, tanto no Norte como nos Suis. No entanto, as lições a tirar são claras e as alternativas existem! Entre outras: anulação das dívidas para alcançar uma maior justiça social!

Para responder a estas questões, este ano o CADTM organiza, em colaboração com vários locais e colectivos, a sua Universidade, desta vez em formato inédito!

Adaptamo-nos ao contexto actual adoptando um formato misto, em parte virtual e em parte presencial, não só para o tornar acessível a toda a gente, mas também para discutir a crise multidimensional actual, ao nível local e ao nível global, juntando no mesmo lugar as lutas de todos os quadrantes do mundo. Para o CADTM, é essencial retomar a iniciativa lançada após Seattle, em 1999, relançar o movimento altermundialista a partir de uma base sólida, e de novo fazer retinir a mensagem: «o mundo não é uma mercadoria, as nossas vidas valem mais que o lucro deles».

Devido a um ressurgimento da contaminação ligada à Covid em Liège, e às novas medidas sanitárias anunciadas e aplicadas pela cidade de Liège a partir de quarta-feira, 22 de Setembro de 2021, lamentamos informar-vos do cancelamento da Universidade CADTM, que deveria ter tido lugar este fim-de-semana nas instalações do Auberge Simenon.

A situação sanitária, que tem um forte impacto sobre o número de inscrições, não nos permite organizar a Universidade CADTM em boas condições, tanto para os participantes como para os oradores.

Como consequência, os workshops e conferências inicialmente planeados serão adiados nas próximas semanas, a maioria dos quais se realizará em linha.

Informações práticas

Datas: de 14 a 26 de setembro

Local:
- 3 conferências on-line nos dias 14, 16 e 23 de setembro
- No Auberge Simenon (Rue Georges Simenon 2, 4020 Liège, Belgique) no fim de semana de 25-26 de setembro

Alimentação: O desjejum e o almoço, vegan, estão incluídos na tarifa de inscrição

Alojamento: Os quartos situam-se no Auberge Georges Simenon

Preço: Baixos rendimentos: 10 € / Tarifa clássica: 30 € / Tarifa de apoio: 50 € ou mais

Idiomas: As conferências on-line são traduzidas em francês, inglês e castelhano. Quanto às sessões presenciais, só algumas têm tradução simultânea.

Perguntas?/Observações?: Cantactem-nos por e-mail para o endereço info[at]cadtm.org

  

Programa on-line

Os horários indicados correspondem à hora de Bruxelas. Para consultar em função do vosso fuso horário, ver aqui
14 de setembro, 18h30-20h30 - A dívida ou a vida: Análise feminista da crise multidimensional
Com Silvia Federici e Verónica Gago
Silvia Federici, escritora, professora e militante feminista italo-americana, é uma das figuras de proa do feminismo anticapitalista. Tem uma longa história de militantismo e de reflexão sobre o processo de mundialização capitalista e seus efeitos no Planeta, desde o salário doméstico em Nova Iorque, à luta contra os planos de ajustamento estrutural em África.
Verónica Gago é professora na Universidade de Buenos Aires (UBA) e na Universidade Nacional de San Martín (UNSAM), e investigadora no Conselho Nacional da Investigação Científica e Técnica (Conicet) da Argentina. Militante e activista feminista do colectivo feminista «Ni una menos», Argentina, é uma referência para compreender a dívida e as finanças do ponto de vista do feminismo.
O aumento das dívidas públicas e das dívidas privadas tem consequências directas na economia doméstica e especificamente na vida das mulheres. São elas em particular quem assume as responsabilidades ligadas à reprodução social e são forçadas a endividarem-se para sustentarem a família, para se alimentarem, para se alojarem, para terem acesso a cuidados de saúde, etc. Quando surgem as crises, as mulheres deixam de ser capazes de reembolsar a dívida. O endividamento é também um mecanismo que fixa as mulheres a lares violentos. Ou seja, os ditames de género andam a par da finança. Sendo a dívida um instrumento de reforço do capitalismo, ela é também um instrumento de reforço do patriarcado: as mulheres cada vez mais arcam a responsabilidade de tarefas que deveriam ser asseguradas por serviços públicos. A partir da articulação entre dívida, capitalismo e patriarcado, as propostas de acção que emanam dos movimentos feministas são fundamentais e indispensáveis para construir alternativas e privilegiar a sustentabilidade da vida acima da durabilidade do mercado. Para este debate, convidamos três intervenientes.
16 de setembro, 18h30-20h30 - Quais são as soluções para os países do Sul esmagados pela dívida?
Com Juan Pablo Bohoslavsky (perito independente encarregado de examinar os efeitos da dívida externa e das obrigações financeiras internacionais conexas dos Estados no pleno exercício de todos os direitos humanos, em particular os direitos económicos, sociais e culturais - de 2014 a 2020), Ndongo Samba Sylla (economista senegalês, Fundação Rosa Luxemburgo Dakar e Colectivo para a Renovação Africana (CORA)), Iolanda Fresnillo (Eurodad) e Omar Aziki (Attac/CADTM Marrocos)
Os países do Sul, muitos deles já em dificuldades desde 2015, viram a sua situação de devedores agravada pelas múltiplas consequências da pandemia de covid-19. Mais de um terço encontram-se à beira da exaustão ou já em suspensão de pagamento do todo ou parte da sua dívida. Desde março de 2020, as instituições não se cansam de repetir declarações de intenção sem conseguirem no entanto ter noção da dimensão real da crise actual. Em resposta ao desespero das populações, é urgente agir pela anulação da dívida dos países do Sul! Mas como? Reestruturação ou suspensão? Anulação ou repúdio? Auditoria ou mecanismo internacional sob a égide da ONU? Para este debate estratégico, acolheremos quatro intervenientes. Juan Pablo Bohoslavsky irá apresentar-nos as soluções preconizadas pela CNUCED. Ndongo Samba Sylla, economista, irá explicar os condicionalismos específicos do endividamento nos países do Sul. Iolanda Fresnillo, membro do Eurodad, e Omar Aziki, membro da ATTAC CADTM Marrocos, apresentarão as recomendações das respectivas redes.
23 de setembro, 18h30-20h30 - As dívidas detidas pelo Banco Central Europeu - anular?
Com Renaud Lambert (Monde Diplomatique), Benjamin Lemoine (investigador no CNRS e autor de L’ordre de la dette. Enquête sur les infortunes de l’État et la prospérité des marchés; Éric Toussaint (porta-voz do CADTM Internacional), Aline Farès (autora de Crónicas de uma Ex-Bancária; e Eva Betavatzi (membro do CADTM Bélgica).
Em fevereiro de 2021 veio a público a questão dos cerca de 2500 mil milhões de euros de dívidas soberanas detidos pelo Banco Central Europeu (BCE). A 5 de fevereiro, 150 economistas de 13 países europeus apelaram publicamente à anulação dessas dívidas nas mãos do BCE. Três semanas mais tarde, em outra tribuna, 80 economistas apelaram pelo contrário a que se encontrasse outra solução. Não surpreende que por seu lado a presidente do BCE, Christine Lagarde, considere a anulação contrária aos tratados europeus e, por isso, «inaceitável». Então em que ficamos? Por uma simples lufada de oxigénio económico ou por um verdadeiro avanço político?
Para dinamizar este debate, acolheremos Renaud Lambert, Benjamin Lemoine, Éric Toussaint, Aline Farès, e Eva Betavatzi.

  

Programa presencial

25 de setembro
9h30-10h - Recepção dos/das participantes
10h-12h - Plenário de abertura
12h-13h30 - Refeição no refeitório do Auberge Simenon
13h30-15h30 - Animação pedagógica: A Linha do Tempo
Com César Chantraine e Romain Possocco do CADTM Bélgica
FMI, Banco Mundial, planos de ajustamento estrutural, crise da dívida de 1980, iniciativa PPTE (países pobres muito endividados), frente unida contra a dívida - que significa tudo isto?; donde vem a dívida do Terceiro Mundo?; que significa a expressão «sistema da dívida»? Este atelier foi concebido para dar resposta a todas estas perguntas.
13h30-15h30 – Os créditos da Bélgica sobre os países do Sul
Com Renaud Vivien (Entraide e Fraternité) e Anaïs Carton (CADTM Bélgica)
Custe o que custar? Anulemos as dívidas dos países do Sul aos bancos belgas! A parte dos créditos privados no endividamento total dos países do Sul aumentou fortemente ao longo da última década. Mas esta tendência tem um custo para os países do Sul, que se tornam muito dependentes da volatilidade dos mercados e ficam sujeitos a subidas brutais das taxas de juro. Até agora, nenhuma instituição financeira fez o mínimo gesto a favor do alívio da dívida. No entanto, seis instituições financeiras activas na Bélgica, das quais quatro têm a sua sede na Bélgica, desempenham um papel importante no endividamento de alguns países do Sul. Quais são essas instituições? Sobre que países detêm créditos? Como levá-las a participar no alívio das dívidas? O objectivo deste atelier consiste em analisar a responsabilidade dos credores privados no endividamento dos países do Sul e propor um momento de reflexão para fazer emergir ideias de acções contra os bancos…
15h30-16h - Lanche
16h-18h – Troca de experiências sobre as lutas actuais: que respostas solidárias?
Com Travail Social en Lutte, La Santé en Lutte, METAL, Still Standing For Culture, Écoles en Lutte, Cortèges de braise
As escolhas políticas para gerir a crise económica desencadeada pela crise sanitária geraram uma degradação das condições de vida e de trabalho de muitas pessoas. Em consequência, no último ano assistimos à criação ou reforço de diversos grupos e colectivos «em luta» (trabalho social, saúde, habitação (pt-br: moradia), ensino, juventude, …) e outros movimentos sociais. Pretendemos que, por via da partilha de experiências sobre os nossos modos de acção e mobilização, e da reflexão sobre as respostas políticas, sociais e económicas mais adequadas, contribuir para o reforço das lutas e movimentos.
16h-18h - Fugir da armadilha das dívidas camponesas, lutar pela autonomia camponesa e alimentar
Com Mathieu Dalmais (rede ISF-Agrista, agrónomo e antigo membro da confederação camponesa) e Dominique Paturel (investigadora no INRA sobre as questões de precariedade, acesso à alimentação e democracia alimentar)
Embora as alternativas ao agrocapitalismo floresçam por toda a parte desde há uma boa dezena de anos, o sistema agroindustrial continua a ser maioritário nos países ocidentais e o número de camponeses/as instalados em condições decentes continua a ser bastante inferior ao que devia ser para alimentar correcta e dignamente a população. A maioria dos camponeses/as que se tornaram agricultores-empresários/as a soldo dos bancos ao longo de um século já tem mais de 50 anos, e boa parte deles encontra-se endividada ou sem encontrar quem lhes cuide das terras. Ao mesmo tempo, a crise sanitária acentuou as desigualdades de acesso à alimentação e o número de pessoas – sobretudo nas cidades – que dependem de ajuda alimentar ou que não têm acesso a alimentação de qualidade multiplicou-se. Apesar do renovada procura de circuitos de proximidade e de iniciativas alternativas, constata-se que continuam a ser os agentes dominantes capitalistas do complexo agroindustrial quem se reforça, em prejuízo da saúde de uma grande parte da população, ainda com o efeito de aumentar a pressão industrial sobre o ambiente. Neste atelier, juntamente com investigadores/as, camponeses/as e activistas, veremos como pôr em prática estratégias políticas como a segurança social alimentar e lutar concretamente pela autonomia camponesa e alimentar em toda a parte.
20h - Serão!
26 de setembro
9h30-10h - Recepção das/os participantes
10h-12h - Dívidas e migrações
Com Bintou Touré (Comité das Mulheres Sem Documentos), Natalia Hirtz (investigadora e formadora no Grupo de Investigação para Uma Estratégia Económica Alternativa - Gresea), France Arets (militante do Colectivo de Resistência aos Centros para Estrangeiros - CRACPE), Said Bouamama (sociólogo e militante da Frente Unida das Imigrações e dos Bairros Populares - FUIQP)
Partindo do princípio que a dívida tem um papel central na forma como se estruturam as relações pós-coloniais, este atelier apresenta-se como um espaço propício ao debate sobre a maneira como as dívidas soberanas e privadas incentivam ou forçam os/as habitantes do Sul Global a migrar. Assim, após esta constatação inicial, poderemos debater de que modo a dívida determina o conjunto do percurso migratório, desde o país de origem até ao país de destino, e identificar em conjunto a responsabilidade dos países do Norte Global e da União Europeia na manutenção de relações de dominação pós-colonial com os países do Sul. Iremos identificar também o papel específico das políticas migratórias e do controle de fronteiras na divisão internacional do trabalho. Finalmente, teremos ocasião de esboçar o estado das coisas nas diversas lutas em curso na Bélgica e noutras partes do mundo. Bintou Touré irá trazer à luz os problemas específicos vividos pelas mulheres sem documentação na Bélgica. Natalia Hirtz mostrará em detalhe a maneira como as políticas migratórias das potências económicas contribuem para manter uma divisão internacional do trabalho imposta pelo capitalismo racial e patriarcal. France Arets apresentará um retrato da situação nos centros de detenção. Said Bouamama irá explicitar as relações de causa e efeito entre o sistema da dívida, a colonização e as migrações.
10h-12h - Economia feminista e solidária
Com Joëlle Tetart (Financité), Estrella Fernandez (Financité) e Laurenne Makubikua (CADTM Bélgica)
A economia solidária é emancipadora para as mulheres* que nela se aplicam, ou, mais do que isso, é essencialista? Para responder a esta questão, Joëlle Tetart, Estrella Fernandez e Laurenne Makubikua propõem duas horas de debate à volta dos conceitos de economia popular, de economia social e solidária, assim como da finança social e solidária. Será nomeadamente ocasião de nos debruçarmos sobre o funcionamento prático das comunidades autofinanciadas, dos diversos modelos de tontinas (caixas mutualistas de ajuda mútua, informais, também conhecidas nalgumas partes da África lusófona como totocaixa), das cozinhas colectivas nas comunidades urbanas e de passar em revista as iniciativas de mulheres* no campo da economia popular em todo o mundo.
12h00-13h30 - Refeição no refeitório do Auberge Simenon
13h30-15h30 - Como combater o oportunismo da extrema-direita em tempos de crise?
Com Eva Betavatzi (CADTM Bélgica)
O autoritarismo e o racismo foram inegavelmente reforçados pela crise sanitária. Os meios de comunicação fazem eco dos discursos fascizantes e fascistas, ao mesmo tempo que os grupúsculos de extrema-direita se vão tornando cada vez menos discretos. Face à sua presença descomplexada, que podemos nós fazer? Como (re)construir as solidariedades colectivas e internacionais?
13h30-15h30 – Encontro com os Zapatistas no Café Zapatiste
15h30-16h - Lanche
16h00-18h00 - Plenário de encerramento

  

Inscrições

Programa on-line
As inscrições fazem-se aqui