Os bancos de desenvolvimento nada têm a ver com financiamento de agronegócios

19 de Outubro por Coletivo


Na véspera da reunião anual dos bancos públicos de desenvolvimento, em Roma, grupos de todo o mundo assinaram uma carta de denúncia do financiamento para expansão da agricultura industrial, destruição ambiental e controle do sistema alimentar por parte das empresas privadas. Os signatários, alguns deles membros do CADTM, afirmam que só os mecanismos de financiamento inteiramente públicos e responsáveis, baseados nas necessidades reais das populações, podem gerar verdadeiras soluções para a crise alimentar mundial.

Mais de 450 Bancos Públicos de Desenvolvimento (PDB na sigla inglesa) do mundo todo irão se reunir em Roma de 19 a 20 de outubro de 2021, para uma segunda cúpula mundial, sob o mote de Finance in Common (Finanças em Comum). Durante a primeira cúpula em Paris, no ano de 2020, mais de 80 organizações da sociedade civil publicaram uma declaração conjunta exigindo que Bancos Públicos de Desenvolvimento parassem de financiar empresas de agronegócios e projetos que espoliam as comunidades locais da terra e dos recursos. No entanto, este ano os PDBs consideraram como prioridade da segunda cúpula a agricultura e os agronegócios. Isso é motivo bastante suficiente para preocupar seriamente os grupos que assinam esta declaração, levando em conta o extenso histórico de investimentos dos PDBs em agricultura que beneficiam interesses privados e corporações de agronegócios às custas de camponeses, pastores, pescadores, trabalhadores do setor alimentar e povos indígenas, abalando a soberania alimentar, os ecossistemas e os direitos humanos.

  Nossos temores

Os PDB são instituições criadas pelos governos nacionais ou pelas agências multilaterais com a finalidade de financiar programas de governo e empresas privadas cujas atividades, conforme declara-se, contribuem para o melhoramento da vida das pessoas nos locais onde operam, nomeadamente no Sul Global. Muitos bancos multilaterais de desenvolvimento, subgrupo importante dos PDB, também oferecem assessoramento técnico e político aos governos para modificarem suas leis e políticas, e atrair assim o investimento estrangeiro.

Na sua qualidade de instituições públicas, os PDB são obrigados a respeitar, proteger e observar os direitos humanos e devem prestar contas públicas das suas ações. Hoje, os bancos de desenvolvimento, conjuntamente, gastam mais de 2 trilhões de dólares por ano financiando empresas públicas e privadas para construir estradas, usinas geradoras de energia, granjas industriais, agronegócios de plantio e ainda mais, em nome do «desenvolvimento». Calcula-se que 1,4 trilhões de dólares são votados unicamente à agricultura e ao setor alimentar. É de supor que o financiamento para as empresas privadas, seja mediante empréstimos ou compra de ações, permite a esses bancos auferir lucros; porém, grande parte do gasto que os bancos fazem é respaldado e financiado pelo setor público, graças ao trabalho das pessoas e a seus impostos.

O número de PDB, bem como o dinheiro que eles recebem, é cada vez maior. A abrangência desses bancos também vai em aumento, visto que cada vez mais eles direcionam fundos públicos para o capital privado, o «financiamento verde» e outros sistemas financeiros com o intuito de oferecer a solução prevista, em lugar do apoio mais tradicional a programas de governo ou a projetos sem fins lucrativos. O dinheiro oriundo de um banco de desenvolvimento outorga uma série de garantias às empresas que pretendem investir nos denominados países ou indústrias de alto risco. Essas garantias permitem às empresas arrecadar mais fundos de emprestadores privados ou de outros bancos de desenvolvimento, frequentemente com taxas favoráveis. Os bancos de desenvolvimento desempenham então um papel crítico, facilitando às corporações multinacionais sua expansão para mercados e territórios no mundo inteiro – desde minas de ouro na Armênia, passando pelas controversas centrais hidroelétricas na Colômbia, até os desastrados projetos de gás natural em Moçambique –, o que não poderiam fazer de outra forma.

Além disso, muitos bancos multilaterais de desenvolvimento trabalham notadamente para modificar, em nível nacional, as leis e políticas mediante o assessoramento técnico que oferecem aos governos e aos sistemas de classificação, como o Enabling the Business of Agriculture do Banco Mundial. As políticas que respaldam setores chaves – incluindo a saúde, a água, a educação, a energia, a segurança alimentar e a agricultura – tendem a fortalecer o papel das grandes corporações e das elites. E quando as comunidades locais afetadas, incluídos os povos indígenas e os pequenos agricultores, reclamam, reiteradas vezes não são ouvidos ou enfrentam retaliações. Por exemplo, na Índia, o Banco Mundial recomendou ao governo desregulamentar o sistema de comercialização agrícola e quando, sem consultar os agricultores e camponeses e suas organizações, o governo implementou tal recomendação, houve protestos maciços.

Os Bancos Públicos de Desenvolvimento afirmam que eles investem apenas em empresas «sustentáveis» e «responsáveis» e que sua participação melhora o comportamento corporativo. Mas esses bancos contam com uma forte herança de investimentos em empresas envolvidas no açambarcamento de terras, na corrupção, na violência, na destruição do ambiente e em outras graves violações dos direitos humanos, sem admitir a esse respeito nenhuma responsabilidade relevante. O crescente uso que fazem os bancos de desenvolvimento dos fundos de capital privado em paraísos fiscais e de complexas redes de investimento para direcionar suas inversões, incluindo os chamados intermediários, possibilita ainda mais furtar-se a tal responsabilidade e favorece a apropriação dos benefícios por parte de uma pequena e poderosa elitehttps://www.tagesschau.de/investiga...financeira.

É muito preocupante que os Bancos Públicos de Desenvolvimento venham ganhando um papel mais coordenado e central nos setores alimentar e agrícola. São parte da arquitetura financeira global que empreende processos de espoliação e destruição ecológica, o mais das vezes por causa dos agronegócios. Durante anos, seus investimentos na agricultura foram destinados quase exclusivamente a empresas envolvidas em plantios de monocultura, sistemas de agricultura por contrato, granjas industriais de animais, venda de sementes híbridas e modificadas geneticamente, mais pesticidas e plataformas digitais dominadas pelos Gigantes Tecnológicos. Demonstraram zero interesse ou capacidade para investir em comunidades de camponeses, de pescadores e de silvicultores, as quais, atualmente, produzem a maior parte dos alimentos do mundo. Em troca, eles financiam açambarcadores de terra e agronegócios corporativos, destruindo os sistemas alimentares locais.

  Tristes exemplos

Existem exemplos significativos do modelo em que estão implicados os bancos públicos de desenvolvimento:

  • O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento [European Bank for Reconstruction and Development] e o Banco Europeu de Investimentos [European Investment Bank] outorgaram generosos financiamentos às empresas de agronegócios de um dos mais ricos oligarcas da Ucrânia, que controla centenas de milhares de hectares de terra.
  • A SOCFIN do Luxemburgo e a SIAT da Bélgica, proprietárias de um dos maiores plantios de dendezeiro e seringueira na África, receberam inúmeros empréstimos financeiros dos bancos de desenvolvimento, a despeito do envolvimento das suas empresas subsidiárias no açambarcamento de terras, escândalos de corrupção e violações dos direitos humanos.
  • Múltiplos bancos de desenvolvimento (incluídos o Swedfund, o BIO, o FMO e o DEG) financiaram o malfadado plantio de cana-de-açúcar da Addax Bioenergy na Serra Leoa, que deixou uma esteira de devastação para as comunidades locais depois da saída da companhia.
  • O CDC Group do Reino Unido e outros bancos de desenvolvimento europeus (incluindo o BIO, o DEG, o FMO e o Proparco) repassaram mais 150 milhões de dólares para os plantios do dendezeiro da República Democrática do Congo, da hoje em dia falida Feronia Inc, apesar dos antigos e prolongados conflitos com as comunidades locais pela terra e as condições de trabalho, acusações de corrupção e graves violações dos direitos humanos dos aldeãos.
  • O Fundo Comum de Commodities Commodities O termo commodities designa, do ponto de vista da produção, os mercados de matérias-primas (produtos agrícolas, minerais, metais e metais preciosos, petróleo, gás, etc.); do ponto de vista financeiro designa os bens susceptíveis de serem transaccionados no mercado financeiro. das Nações Unidas investiu numa fazenda de grãos em grande escala da Agilis Partners, uma companhia de propriedade estadunidense que esteve implicada no violento despejo de milhares de habitantes na Uganda.
  • O Norfund e o Finnfund são donos da Green Resources, empresa florestal norueguesa que planta pinheiros na Uganda, em terras usurpadas a milhares de camponeses locais, com resultados devastadores sobre seus meios de sustento.
  • O Banco Japonês de Cooperação Internacional [Japan Bank for International Cooperation] e o Banco Africano de Desenvolvimento [African Development Bank] investiram em infraestrutura e numa ferrovia para permitir que a Mitsui do Japão e a Vale do Brasil exportem carvão das suas operações mineiras no norte de Moçambique. O projeto, ligado ao controverso projeto de agronegócios ProSavana, tem resultado em açambarcamento de terras, relocalizações forçadas, acidentes fatais, detenção e tortura de quem se opõe ao projeto.
  • O Banco Chinês de Desenvolvimento [China Development Bank] financiou o desastre ecológico e social da barragem de Gibe III na Etiópia. Desenhada para a geração de eletricidade e para a irrigação de plantios em grande escala de açúcar, algodão e dendezeiro, como o gigantesco Projeto Kuraz de Desenvolvimento Açucareiro [Kuraz Sugar Development Project], interrompeu o fluxo do rio com o qual contavam os povos indígenas do Vale Baixo do Omo para o regadio por inundação.
  • Na Nicarágua, o FMO e o Finnfund financiaram o MLR Forestal, companhia que gerencia plantios de cacaueiro e tectona, controlada por interesses da mineração do ouro, responsável pelo deslocamento de comunidades afrodescendentes e indígenas, e pela degradação ambiental.
  • A Comissão Financeira Internacional e a agência Invest, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, aprovaram recentemente empréstimos à Pronaca, a quarta maior corporação do Equador, para expandir a produção intensiva de suínos e aves, não obstante a oposição de grupos internacionais e do Equador, incluindo comunidades locais indígenas cujas águas e terras foram poluídas pela expansão das operações da companhia.
  • A Invest, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, está considerando um novo empréstimo de 43 milhões de dólares para a Marfrig Global Foods, a segunda maior companhia do mundo produtora de carne de rês, sob o disfarce de promover «pecuária de carne bovina sustentável». Numerosos relatórios demonstraram que a cadeia de fornecimento da Marfrig está diretamente ligada ao desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado e às violações dos direitos humanos. A empresa também enfrentou acusações de corrupção. Atualmente, há uma campanha global exigindo aos PDB se retirarem já de todas as operações pecuárias industriais.

  Precisamos de melhores mecanismos para construir soberania alimentar

Os governos e as agências multilaterais, finalmente, estão começando a reconhecer que o sistema alimentar global fracassou na luta contra a fome e que é um importante fator gerador de múltiplas crises, desde pandemias até o colapso da biodiversidade e do estado de emergência climática. Porém, nada fizeram para enfrentar as corporações que dominam o sistema alimentar e seu modelo de produção, comércio e consumo. Pelo contrário, pressionam em prol de maior investimento corporativo, mais parcerias público-privadas e mais dinheiro para os agronegócios.

O ano da cúpula dos bancos de desenvolvimento foi decidido propositadamente para acontecer quase imediatamente depois da Cúpula de Sistemas Alimentares das NaçõesUnidas, a qual foi divulgada como um fórum global para encontrar soluções para os problemas que afetam o sistema alimentar global. No entanto, os interesses corporativos apropriaram-se dela e tornou-se então pouco menos que um espaço para uma lavagem verde da imagem das corporações e para promover a agricultura industrial. Houve protestos contra o evento e ele foi boicotado pelos movimentos sociais e pela sociedade civil, bem como porhttps://agroecologyresearchaction.o...acadêmicos do mundo inteiro, inclusive mediante a Cúpula Mundial dos Povos e ahttps://www.foodsystems4people.org/...Resposta autônoma dos Povos à Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU.

A cúpula Finance in Common, com seu interesse focado na agricultura e nos agronegócios, seguirá o mesmo roteiro. Os financistas que supervisionam os mandatos dos bancos e nossos fundos públicos irão se reunir com as elites e os representantes das corporações para desenhar estratégias sobre como manter em circulação o fluxo de dinheiro num modelo alimentar e agrícola que conduz às alterações climáticas, ao aumento da pobreza e ao agravo de todas as formas de malnutrição. Muito poucos ou nenhum representante das comunidades afetadas pelos investimentos dos bancos de desenvolvimento, pessoas que estão na primeira fileira tentando produzir alimentos para suas comunidades, serão convidadas ou ouvidas. Os PDB não têm interesse. Mais que produzir alimentos para melhorar a nutrição, o que eles buscam é financiar os agronegócios, os produtores de matérias-primas para comercializar e os sistemas financeiros, a fim de obter lucros.

O ano passado, uma grande coligação de organizações da sociedade civil realizou um enorme esforço simplesmente para conseguir que os bancos de desenvolvimento aceitassem comprometer-se com uma perspectiva de direitos humanos e desenvolvimento liderado pelas comunidades. O resultado foram apenas algumas mornas palavras na declaração final, que nunca se traduziu em ação.

Já não queremos que o mandato destes bancos, o nosso dinheiro público e os nossos recursos públicos se malgastem em companhias de agronegócios que despojam as comunidades locais da terra, dos recursos naturais e de seus meios de sustento.

Portanto:

Exigimos a imediata cessação do financiamento por parte dos bancos públicos de desenvolvimento para operações de agronegócios corporativos e investimentos especulativos.

Exigimos a criação de mecanismos de financiamento totalmente públicos e transparentes, que apoiem os esforços populares visando a desenvolver soberania alimentar, efetivar o direito humano à alimentação, proteger e recuperar os ecossistemas e abordar a crise climática.

Exigimos a implementação de mecanismos sólidos e efetivos que ofereçam às comunidades o acesso à justiça no caso de impactos adversos aos direitos humanos ou de danos sociais ou ambientais decorrentes dos investimentos dos Bancos Públicos de Desenvolvimento.

  • Fundación Plurales- Argentina
  • Fundación Ambiente y Recursos Naturales (FARN) - Argentina
  • Foro Ambiental Santiagueño - Argentina
  • Armenian Women For Health & Healthy Environment NGO /AWHHE/ - Armênia
  • Australian Food Sovereignty Alliance - Austrália
  • SunGem - Austrália
  • Welthaus Diözese Graz-Seckau - Áustria
  • Turkmen Initiative for Human Rights - Áustria
  • FIAN Austria - Áustria
  • Oil Workers’ Rights Protection Organization Public Union - Azerbaidjão
  • Initiative for Right View - Bangladesh
  • Right to Food South Asia - Bangladesh
  • IRV - Bangladesh
  • Bangladesh Agricultural Farm Labour Federation [BAFLF] - Bangladesh
  • NGO ’Ecohome’ - Bielorrússia
  • Eclosio - Bélgica
  • AEFJN - Bélgica
  • FIAN Bélgica - Bélgica
  • Entraide et Fraternité - Bélgica
  • Africa Europe Faith & Justice Network (AEFJN) - Bélgica
  • Coalition for Fair Fisheries Arrangements - Bélgica
  • Eurodad - Bélgica
  • Friends of the Earth Europe - Bélgica
  • Alianza Animalista La Paz - Bolívia
  • Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) - Brasil
  • Centro Ecologico - Brasil
  • FAOR Fórum da Amazônia Oriental - Brasil
  • Articulação Agro é Fogo - Brasil
  • Campanha Nacional de Combate e Prevenção ao Trabalho Escravo - Comissão Pastoral da Terra/CPT - Brasil
  • Clínica de Direitos Humanos da Amazônia -PPGD/UFPA - Brasil
  • Universidade Federal Fluminense IPsi - Brasil
  • Associação Brasileira de Reforma Agrária - Brasil
  • Rede Jubileu Sul Brasil - Brasil
  • Alternativas para pequena agricultura no Tocantins APATO - Brasil
  • CAPINA Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa - Brasil
  • Marcha Mundial por Justiça Climática / Marcha Mundial do Clima - Brasil
  • MNCCD - Movimento Nacional Contra Corrupção e pela Democracia - Brasil
  • Marcha Mundial por Justiça Climática/Marcha Mundial do Clima - Brasil
  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - Brasil
  • Support Group for Indigenous Youth - Brasil
  • Comissão Pastoral da Terra -CPT - Brasil
  • Equitable Cambodia - Cambodja
  • Coalition of Cambodian Farmers Community - Cambodja
  • Struggle to Economize Future Environment (SEFE) - Camarões
  • Synaparcam - Camarões
  • APDDH -ASSISTANCE - Camarões
  • Inter Pares - Canadá
  • Vigilance OGM - Canadá
  • SeedChange- Canadá
  • Place de la Dignité - Canadá
  • National Farmers Union - Canadá
  • Corporación para la Protección y Desarrollo de Territorios Rurales- PRODETER - Colômbia
  • Grupo Semillas - Colômbia
  • Groupe de Recherche et de Plaidoyer sur les Industries Extractives (GRPIE) – Costa do Marfim
  • Réseau des Femmes Braves (REFEB) - Costa do Marfim
  • CLDA - Costa do Marfim
  • Counter Balance – República Checa
  • AfrosRD – República Dominicana
  • Conseil Régional des Organisations Non gouvernementales de Développement - RD Congo
  • Construisons Ensemble le MONDE - RD Congo
  • Synergie Agir Contre la Faim et le Réchauffement Climatique , SACFRC. - RD Congo
  • COPACO-PRP - RD Congo
  • AICED - RD Congo
  • Réseaux d’informations et d’appui aux ONG en République Démocratique du Congo ( RIAO - RDC) - RD Congo
  • Latinoamérica Sustentable - Equador
  • Housing and Land Rights Network - Habitat International Coalition - Egito
  • Pacific Islands Association of Non-Governmental Organisations (PIANGO) - Fiji
  • Internationale Situationniste - França
  • Pouvoir d’Agir - França
  • Europe solidaire sans frontières (ESSF) - França
  • Amis de la Terre France - França
  • Médias Sociaux pour un Autre Monde - França
  • ReAct Transnational - França
  • CCFD-Terre Solidaire - França
  • CADTM France - França
  • Coordination SUD - França
  • Движение Зеленных Грузии - Geórgia
  • NGO ’GAMARJOBA’ - Geórgia
  • StrongGogo - Geórgia
  • FIAN Deutschland - Alemanha
  • Rettet den Regenwald - Alemanha
  • Angela Jost Translations - Alemanha
  • urgewald e.V. - Alemanha
  • Abibinsroma Foundation - Gana
  • Alliance for Empowering Rural Communities - Gana
  • Organización de Mujeres Tierra Viva - Guatemala
  • Campaña Guatemala sin hambre - Guatemala
  • PAPDA - Haiti
  • Centre de Recherche et d’Action pour le Developpement (CRAD) - Haiti
  • Ambiente, Desarrollo y Capacitación (ADC ) - Honduras
  • Rashtriya Raithu Seva Samithi - Índia
  • All India Union of Forest Working People AIUFWP - Índia
  • Centre for Financial Accountability - Índia
  • People First - Índia
  • Environics Trust - Índia
  • ToxicsWatch Alliance - Índia
  • Food Sovereignty Alliance - Índia
  • Indonesia for Global Justice (IGJ) - Indonésia
  • kruha - Indonésia
  • Wahana Lingkungan Hidup Indonesia (WALHI) - Indonésia
  • JPIC Kalimantan - Indonésia
  • تانيا جمعه /منظمه شؤون المراه والطفل - Iraque
  • ICW-CIF - Itália
  • PEAH - Policies for Equitable Access to Health - Itália
  • Focsiv Italian federation christian NGOs - Itália
  • Casa Congo- Itália
  • ReCommon - Itália
  • Schola Campesina - Itália
  • Japan International Volunteer Center (JVC) - Japão
  • Team OKADA - Japão
  • taneomamorukai - Japão
  • VoiceForAnimalsJapan - Japão
  • Keisen University - Japão
  • 000 PAF NPO - Japão
  • Missionary Society of Saint Columban, Japan - Japão
  • Migrants around 60 - Japão
  • Mura-Machi Net (Network between Villages and Towns) - Japão
  • Japan Family Farmers Movement (Nouminren) - Japão
  • Pacific Asia Resorce Center(PARC) - Japão
  • A Quater Acre Farm-Jinendo - Japão
  • Friends of the Earth Japan - Japão
  • Alternative People’s Linkage in Asia (APLA) - Japão
  • Mekong Watch - Japão
  • Family Farming Platform Japan - Japão
  • Africa Japan Forum - Japão
  • ATTAC Kansai - Japão
  • ATTAC Japan - Japão
  • Association of Western Japan Agroecology (AWJA) - Japão
  • Mennovillage Naganuma - Japão
  • Phenix Center - Jordânia
  • Mazingira Institute - Quénia
  • Dan Owala - Quénia
  • Jamaa Resource Initiatives - Quénia
  • Kenya Debt Abolition Network - Quénia
  • Haki Nawiri Afrika - Quénia
  • Euphrates Institute-Liberia - Libéria
  • Green Advocates International (Liberia) - Libéria
  • Sustainable Development Institute (SDI) - Libéria
  • Alliance for Rural Democracy (ARD) - Libéria
  • Frères des Hommes - Luxembourg
  • SOS FAIM - Luxemburgo
  • Collectif pour la défense des terres malgaches - TANY - Madagáscar
  • Third World Network - Malásia
  • Appui Solidaire pour le Développement de l’Aide au Développement - Mali
  • Réseau CADTM Afrique - Mali
  • Lalo - México
  • Tosepanpajt A.C - México
  • Maya sin Fronteras - México
  • Centro de Educación en Apoyo a la Producción y al Medio Ambiente, A.C. - México
  • Mujeres Libres COLEM AC - México
  • Grupo de Mujeres de San Cristóbal Las Casas AC - México
  • Colectivo Educación para la Paaz y los Derechos Humanos A.C. (CEPAZDH) - México
  • Red Nacional de Promotoras Rurales - México
  • Dinamismo Juvenil A.C - México
  • Cultura Ambiental en Expansión AC - México
  • Observatorio Universitario de Seguridad Alimentaria y Nutricional del Estado de Guanajuato - México
  • Centro Interdisciplinario de Investigación y Desarrollo Alternativo U Yich Lu’um AC - México
  • The Hunger Project México - México
  • Americas Program/Americas.Org - México
  • Association Talassemtane pour l’Environnement et Développement (ATED) - Marrocos
  • Espace de Solidarité et de Coopération de l’Oriental - Marrocos
  • LVC Maroc - Marrocos
  • EJNA - Marrocos
  • NAFSN - Marrocos
  • Fédération nationale du secteur agricole - Marrocos
  • Association jeunes pour jeunes - Marrocos
  • Plataforma Mocambicana da Mulher e Rapariga Cooperativistas/AMPCM - MOZAMBIQUE - Moçambique
  • Justica Ambiental - JA! - Moçambique
  • Community Empowerment and Social Justice Network (CEMSOJ) - Nepal
  • WILPF NL - Holanda
  • Milieudefensie - Holanda
  • Platform Aarde Boer Consument - Holanda
  • Both ENDS - Holanda
  • Foundation for the Conservation of the Earth,FOCONE - Nigéria
  • Lekeh Development Foundation (LEDEF) - Nigéria
  • Nigeria Coal Network - Nigéria
  • Spire - Noruega
  • Pakistan Fisherfolk Forum - Paquistão
  • Gaza Urban Agriculture Platform (GUPAP) - Palestina
  • Union of Agricultural Work Committees - Palestina
  • Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR) - Peru
  • WomanHealth Philippines - Filipinas
  • Agroecology X - Filipinas
  • SEARICE - Filipinas
  • Alter Trade Foundation for Food Sovereignty, Inc - Filipinas
  • Association pour la défense des droits à l’eau et à l’assainissement - Senegal
  • Biotech Services Sénégal - Senegal
  • Association Sénégalaise des Amis de la Nature - Senegal
  • Alliance Sénégalaise Contre la Faim et la Malnutrition - Senegal
  • Association Sénégalaise des Amis de la Nature - Senegal
  • Alliance Sénégalaise Contre la Faim et la Malnutrition - Senegal
  • Green Scenery - Serra Leoa
  • Land for Life - Serra Leoa
  • JendaGbeni Centre for Social Change Communications - Serra Leoa
  • Sierra Leone Land Alliance - Serra Leoa
  • African Centre for Biodiversity – África do Sul
  • African Children Empowerment - África do Sul
  • Cooperative and Policy Alternative Centre - África do Sul
  • Fish Hoek Valley Ratepayers and Residents Association - África do Sul
  • Consciously Organic - África do Sul
  • Wana Johnson Learning Centre - África do Sul
  • Aha Properties - África do Sul
  • Sacred Earth & Storm School - África do Sul
  • Earth Magic - África do Sul
  • Oasis - África do Sul
  • Envirosense - África do Sul
  • Greenstuff - África do Sul
  • WoMin African Alliance - África do Sul
  • Seonae Eco Centre - África do Sul
  • Eco Hope - África do Sul
  • Kos en Fynbos - África do Sul
  • Ghostwriter Grant - África do Sul
  • Mariann Coordinating Committee - África do Sul
  • Khanyisa Education and Development Trust - África do Sul
  • LAMOSA - África do Sul
  • Ferndale Food Forest and Worm Farm - África do Sul
  • Mxumbu Youth Agricultural Coop - África do Sul
  • PHA Food & Farming Campaign - África do Sul
  • SOLdePAZ.Pachakuti - Espanha
  • Amigos de la Tierra - Espanha
  • Sindicato Andaluz de Trabajadores/AS - Espanha
  • Salva la Selva - Espanha
  • Loco Matrifoco - Espanha
  • Entrepueblos/Entrepobles/Entrepobs/Herriarte - Espanha
  • National Fisheries Solidarity(NAFSO) - Sri Lanka
  • Movement for Land and Agricultural Reform (MONLAR) - Sri Lanka
  • Agr. Graduates Cooperatives Union - Sudão
  • FIAN Sweden - Suécia
  • FIAN Suisse - Suíça
  • Bread for all - Suíça
  • Foundation for Environmental Management and Campaign Against Poverty - Tanzânia
  • World Animal Protection - Tailândia
  • Asia Indigenous Peoples Pact - Tailândia
  • PERMATIL - Timor-Leste
  • Afrique Eco 2100 - Togo
  • AJECC - Togo
  • ATGF - Tunísia
  • Forum Tunisien des Droits Economiques et Sociaux - Tunísia
  • Agora Association - Turquia
  • Uganda Land Rights Defenders - Uganda
  • Centre for Citizens Conserving Environment (CECIC) - Uganda
  • Hopes for youth development Association - Uganda
  • Uganda Consortium on Corporate Accountability - Uganda
  • Centre for Citizens Conserving Environment &Management (CECIC) - Uganda
  • Buliisa Initiative for Rural Development Organisation (BIRUDO)) - Uganda
  • Twerwaneho Listeners Club - Uganda
  • Alliance for Food Soverignity in Africa - Uganda
  • Global Justice Now - UK
  • Friends of the Earth International - UK
  • Compassion in World Farming - UK
  • Environmental Justice Foundation - UK
  • Fresh Eyes - UK
  • War on Want - UK
  • Friends of the Earth US - US
  • A Growing Culture - US
  • Center for Political Innovation - US
  • GMO/Toxin Free USA - US
  • Friends of the Earth US - US
  • Thousand Currents - US
  • Local Futures - US
  • National Family Farm Coalition - US
  • Community Alliance for Global Justice/AGRA Watch - US
  • Bank Information Center - US
  • Seeding Sovereignty - US
  • Yemeni Observatory for Human Rights - Iêmen
  • Zambia Alliance for Agroecology and Biodiversity - Zâmbia
  • Zambian Governance Foundation for Civil Society - Zâmbia
  • Urban Farming Zimbabwe - Zimbabué
  • Centre for Alternative Development - Zimbabué
  • FACHIG Trust - Zimbabué
  • Red Latinoamericana por Justicia Económica y Social - Latindadd - América Latina
  • European Coordination Via Campesina - Europa
  • Arab Watch Coalition - Médio Oriente e Norte de África
  • FIAN International - Internacional
  • ESCR-Net - Internacional
  • International Alliance of Inhabitants - Internacional
  • Society for International Development - Internacional
  • ActionAid International - Internacional
  • International Accountability Project - Internacional
  • Habitat International Coalition - General Secretariat - Internacional
  • CIDSE - Internacional
  • Transnational Institute - Internacional
  • World Rainforest Movement - Internacional
  • GRAIN - Internacional
  • La Via Campesina - Internacional



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