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México: O pagamento da dívida externa deve ser suspenso
por Benito Mirón Lince
24 de Maio de 2022

A convite da Promotora Nacional para a Anulação da Dívida Pública [mexicana], uma delegação da rede internacional do Comité para a Anulação das Dívidas Ilegítimas (CADTM), composto por delegados de Porto Rico, Colômbia, Uruguai e Argentina, deslocou-se ao México de 27 de abril a 16 de maio de 2022. A delegação foi acompanhada por Éric Toussaint, porta-voz da rede internacional CADTM, por Béatriz Ortiz, membro do Secretariado Internacional Partilhado do CADTM e por uma delegação do sindicato ELA do País Basco.

Foram organizados fóruns na Câmara de Deputados e no Senado, assim como eventos e conferências em diversas cidades do país, nomeadamente Mexico DF, Toluca, Cuernavaca, Puebla, Oaxaca, Guadalajara, Mérida e Cancún. Os delegados/as do CADTM explicaram em pormenor a situação dos seus países em relação à dívida, deixando claro a que ponto ela injusta e ilegítima. Essa dívida ameaça o desenvolvimento humano e sacrifica os interesses da maioria, pois foi contraída em proveito dos interesses de grupos privilegiados e não no interesse colectivo, o que implica uma falta de transparência e actos de corrupção.

No México, a dívida pública tornou-se impagável e aumenta de forma constante. No final da presidência de Enrique Peña Nieto (2012-2018), a dívida ascendia a cerca de 500 mil milhões de dólares US (ou seja, 10.500.000.000.000 de pesos mexicanos) e actualmente ultrapassa os 600 mil milhões de dólares US (ou seja, 13.300.000.000.000 pesos). É preciso perguntar: onde foi gasta essa dívida e quem são os beneficiários? A corrupção esteve presente. É urgente fazer uma auditoria cidadã. Já foi demonstrado que esta dívida é ilegítima e imoral. Devem ser tomadas medidas para suspender o pagamento e anular a dívida, de modo a que esse dinheiro possa ser gasto e investido no interesse geral e no desenvolvimento dos sectores agrícola, da saúde, da ciência, da educação, etc.

Note-se que o orçamento do Governo para este ano, no que respeita a todos os programas sociais prioritários, é inferior a 500 mil milhões de pesos (cerca de 25 mil milhões de dólares) e que 860 mil milhões de pesos (cerca de 43 mil milhões de dólares) serão utilizados para reembolsar a dívida. É preciso acabar com isto. Os interesses da maioria devem ser satisfeitos, com prioridade sobre os interesses insaciáveis dos credores.


Fonte: La Jornada

Benito Mirón Lince

Advogado mexicano, ex-representante legal do EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) em 1994, ex-secretário do Trabalho e da Criação de Emprego do Governo do distrito federal. Militante em diversos movimentos sociais e sindicais, entre os quais a Promotora Mexicana para a Suspensão do Pagamento e Auditoria da Dívida.