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CADTM = 30 anos de luta contra as dívidas ilegítimas
por CADTM , Chris Den Hond
11 de Novembro de 2020

Há 30 anos que o CADTM milita nos 4 continentes ao lado de homens e mulheres no combate pela emancipação dos povos contra o imperialismo, o neocolonialismo, o capitalismo e o patriarcado, a partir da perspectiva da dívida.


CADTM

comissão para a abolição das dívidas ilegítimas

= 30 anos de luta contra a dívida

Seriamente perturbados pelo vírus COVID,
a maioria dos encontros é feita através da Internet,
com intervenções vindas da RD do Congo, Marrocos, Sri Lanka, França, Brasil, Índia, África do Sul, Argentina...

E um pequeno flashback para quando o CADTM tinha 20 anos:


Myriam Bourgy:

Uma organização como a CADTM mostra que é possível

agir diretamente sobre um assunto como a dívida

o que parece difícil, mas que é central, tanto no Sul como no Norte.


Virginie De Romanet:

A mudança de nome em 2013 foi hiper relevante

passar do «Comitê para o Anulação da Dívida do Terceiro Mundo».

ao «Comitê para a Abolição das Dívidas Ilegítimas»,

já que não estamos trabalhando apenas no Sul, mas também no Norte.


AS ORIGENS DO CADTM

Nos anos 80, foram Fidel Castro em Cuba e Thomas Sankara no Burkina Faso que militavam para o cancelamento da dívida.


Eric Toussaint:

Thomas Sankara se convenceu a partir de 1985,

que era absolutamente necessário parar de pagar a dívida.

Em 16 de outubro de 1987, ha 33 anos e 2 dias, ele foi assassinado.

Porque ele era uma ameaça para outros chefes de Estado.

e para as grandes potências como a França,

que considera que Burkina Faso, como os outros países da África Ocidental

são parte de seu quintal.

E depois a figura de Fidel Castro pedindo a suspensão dos pagamentos da dívida

com a palavra de ordem: a dívida é impagável e ela e imoral.

Tudo isso originou um poderoso movimento de solidariedade com os países do Terceiro Mundo.

e em 1989 foi lançada uma grande campanha na França

que foi chamada de «Ça suffat comme ci». Um trocadilho que significa «Já chega disso».

E foi na esteira desta grande iniciativa na França

que ecoava o que estava acontecendo na América Latina e na África.

que o CADTM nasceu em março de 1990.


Virginie De Romanet:

Eu não tinha absolutamente nenhum conhecimento sobre a questão da dívida.

Eu tinha a ideia geral de que os países pobres tinham tomado dinheiro emprestado

e porque eram países pobres, não conseguiam pagar. Mal sabia eu que a dívida tinha sido emprestada conscientemente...

para manter as ditaduras, o sistema capitalista

e que os países já haviam reembolsado varias vezes

e que eles ainda estavam tão endividados, se não mais.


Najla Mulhondi:

Para mim, a ligação entre colonialismo e dívida,

é esta relação com a opressão, com a dominação injusta, injusta e até mesmo desumana.


Eva Betavatzi:

Descobri o CADTM porque em 2013-2014 eu vivi em Atenas.

Eu tinha perdido meu emprego e estava me perguntando por quê.

Todos me disseram que era a crise da dívida,

que a Grécia era uma colônia da dívida.

Comecei a estudar a questão do endividamento e foi assim que descobri o CADTM.

e que eu comecei a trabalhar com a equipe

para descobrir de onde vinha a dívida grega.

Em 2016, participei da Comissão de Auditoria para a Verdade sobre a dívida grega.

e tinham ampliado o campo de análise à dívida privada...

e, em particular, sobre as dívidas relacionadas à moradia,

porque, na época, havia vários gregos que estavam ameaçados de expulsão.

por não pagamento de sua hipoteca.

Havia uma enorme quantidade de empréstimos improdutivos,

empréstimos não pagos para o banco,

e a Troika e, em particular, o BCE (Banco Central Europeu)

estavam pressionando para que esses empréstimos fossem comprados por fundos de abutres.

para «limpar» os balanços dos bancos.

E foi assim que consegui ligar a questão da dívida pública grega

às questões da dívida privada.


Anaïs Carton:

Acabei de entrar para o CADTM. Sou o mais novo membro da equipe.

Estou bastante comprometida com a questão da luta dos migrantes sem documentos.

e estou tentando revisitar esta relação de dominação, entre a questão da dívida e da migração.


Robin Delobel:

Um momento importante que me lembro muito bem é o Fórum Social Mundial de Tunis em 2013.

onde encontrei muitas pessoas da rede internacional e também no Marrocos.

Participei em 2016 de uma contra cimeira organizada por Attac CADTM-Marrocos.

onde conheci muitos marroquino(a)s mobilizado(a)s.


Christine Vanden Daelen:

Tendo visto todos os excessos da cooperação internacional...

e vendo que era de fato o contrário de tudo o que eu queria...

e tudo o que eu esperava, eu pensava para mim mesmo:

«Como posso agir internacionalmente morando na Bélgica»?


Joaldo Domínguez:

Me interessei na divida porque acho que é um mecanismo

de dominação histórica, que impede que os povos se desenvolvam adequadamente.

e que ameaça todo o potencial do povo.

Portanto, acho que se os países se focam em organizar auditorias cidadãs da dívida

e ver qual parte da dívida é legítima e qual parte é ilegítima.

e não tem que ser paga,

eles terão condição de desenvolver muitos projetos de saúde, educação e infraestrutura.


Eva Betavatzi:

Hoje estamos fazendo cada vez mais trabalho de campo.

Estamos com os movimentos que lutam pela saúde, pela moradia,

ontem falamos com o movimento para a educação.

Nos movimentos populares, há um interesse crescente

para as questões da dívida privada e pública.

Foi assim que ampliamos nosso campo de análise.

CADTM = CONVERGÊNCIA DAS LUTAS

CADTM = AGIR

CADTM = DÍVIDA NO NORTE ASSIM COMO NO SUL

CADTM = REDE INTERNACIONAL


Diretor: Chris Den Hond


CADTM
Chris Den Hond

participou na fundação do CADTM Bélgica em 1990 e é vídeo-jornalista. Escreve sobre as lutas no Médio Oriente, onde se desloca regularmente. Colabora no Monde diplomatique e no Orient XXI.